I ENCONTRO ANUAL DE ANTROPOLOGIA DO AMBIENTE

Numa perspectiva antropológica o tema do ambiente é consideravelmente vasto e desdobra-se em inúmeros eixos: deflorestação e perda de biodiversidade, qualidade do ar que respiramos, consumos, questões energéticas, alterações climáticas, ambiente nos centros urbanos, reciclagem, relação que os seres humanos estabelecem com outras espécies, entre muitos outros assuntos.

O objectivo do presente encontro é divulgar algumas das investigações inovadoras que têm sido levadas a cabo por investigadores portugueses nas várias áreas desta subdivisão da antropologia. Evidenciando resultados que estão relacionados com dados empíricos, o Encontro Anual de Antropologia do Ambiente organizado pela Secção de Antropologia da Sociedade de Geografia de Lisboa e o Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra procura reunir antropólogos e outros cientistas sociais numa abordagem antropológica, mas também multidisciplinar dentro da disciplina (por exemplo, antropologia biológica) e fora dela.

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Complete information regarding this abstract call is available HERE. Further queries should be submitted to Catarina Casanova by the electronic address: ccasanova2009@gmail.com

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CALL

Os interessados devem submeter propostas de comunicação através de resumos com um máximo de 250 palavras e até 3 palavras-chave (para comunicações com a duração de 15 a 20 minutos, máximo). Os resumos devem ser enviados até dia 28 de Setembro às 15:00 para o endereço ccasanova2009@gmail.com

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Painel I: Primatologia, Áreas protegidas, Biodiversidade e Capitaloceno (10:30-13:00)

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As florestas do nosso planeta, cujos ecossistemas suportam a chamada vida selvagem e a população humana têm vindo a diminuir progressiva e rapidamente. Os ecossistemas florestais enfrentam mudanças sem precedentes, mudanças essas características do capitaloceno. Actualmente, os maiores desafios impostos à biodiversidade ocorrem num domínio complexo das relações entre ecossistemas e culturas humanas: a etno-esfera. A etno-esfera pode ser definida como as percepções e atitudes políticas, religiosas, económica, culturais e normativas face aos ecossistemas e à vida selvagem: a soma de todos os pensamentos, crenças, mitos e instituições manifestados hoje pelas inúmeras culturas do mundo. Estes pensamentos incorporam uma complexa rede de relações seres humanos-ecossistemas que inclui as percepções humanas da vida selvagem: atitudes básicas para com os outros animais, conhecimento dos animais, opiniões sobre aspectos chave da vida selvagem, preferências relativas a alguns animais, atividades que envolvem a vida selvagem/biodiversidade e valores imputados à fauna e flora. Dentro das relações entre seres humanos e outras espécies, daremos prioridade às visões dos seres humanos relativamente aos outros primatas e à flora.

Adicionalmente enfatizaremos os estudos sobre primatas não humanos: comportamento e ecologia dos primatas não humanos, obedecendo à aproximação da antropologia biológica.

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Painel II: Animais e sociedade (14:30-17:30)

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A atenção dada às relações entre seres humanos e animais não humanos está a desafiar as definições tradicionais da divisão intelectual do trabalho nas humanidades, ciências sociais e ciências naturais. A forma como os primeiros se relacionam com os últimos depende muito de inúmeros contextos sociais como o laboral, a classe social, o contexto religioso, a cultura, entre outros aspectos. Historicamente, a relação entre a antropologia com os animais não humanos está repleta de tensões paradoxais e de ambivalências. Como refere Haraway (2003) já vai sendo tempo de interiorizarmos a relação entre a nossa espécie e os restantes animais com maior responsabilidade, relação essa que deve assentar no companheirismo e nos benefícios recíprocos, com base no respeito e na coexistência.

Os animais de companhia (AC) têm cada vez mais importância no ecossistema doméstico e no mundo contemporâneo assumindo papéis centrais na vida dos seres humanos. Os seres humanos e os AC vivem num mundo partilhado onde as relações afectivas (e outras) se constroem e são permanentemente reconfiguradas, muitas vezes substituindo as relações com outros seres humanos. Estas relações provavelmente esbatem-se tornando as fronteiras entre “animais de companhia” e “membros da família” diluídas, podendo também contribuir para o bem-estar e saúde
de ambas as espécies (ex.: redução do risco de depressão, solidão e isolamento da população geriátrica, melhorias na motricidade em pessoas com mobilidade reduzida, incremento na interacção social de pessoas autistas, prevenção da asma e alergias, redução do risco de doenças cardiovasculares, redução do stress e melhoria do humor, etc). Os AC têm ainda um papel central na socialização dos seres humanos. Neste painel agrupam-se comunicações orais que relatam novas etnografias, as multi-espécie, sobretudo em contexto urbano.

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Organização: Secção de Antropologia da Sociedade de Geografia de Lisboa e Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra.

I ENCONTRO ANUAL DE ANTROPOLOGIA DO AMBIENTE

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